22/09/2026 às 19:23

Adolescente é difícil! Será?

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3min de leitura

Eu sou mãe de menino. E sou mãe de menino adolescente.

E talvez por isso eu tenha começado a prestar ainda mais atenção em uma coisa que sempre escuto: “Adolescente é difícil.”

Não gosta de carinho. Não quer conversa. Tem vergonha dos pais. Não respeita limites. Quer distância.

E eu fico pensando: será?

Não estou dizendo que adolescência é fácil. Não é. Tenho meus desafios, meus conflitos e momentos em que também não sei muito bem o que fazer.

Mas comecei a perceber que talvez exista uma coisa que a gente, como pai e mãe, precise olhar antes de simplesmente colocar tudo na conta da adolescência: como foi que construímos essa relação até aqui?

Meu pai sempre me ensinou que toda história tem dois lados. Às vezes, uma atitude acontece por causa de alguma coisa que veio antes. Isso não necessariamente justifica, mas muitas vezes explica.

Talvez eu leve isso para a maternidade.

Antes de pensar “meu filho está sendo difícil”, eu tento pensar: o que está acontecendo com ele? O que ele está sentindo? O que ele está tentando me dizer?

Porque cabeça e coração são lugares diferentes. E nem sempre aquilo que aparece no comportamento é exatamente aquilo que está acontecendo por dentro.

Meu filho tem 13 anos. Ou, como ele gosta de dizer, 14 desde o começo do ano. 😂

E ele me dá beijo no meio da rua. Pega na minha mão sem motivo. Me abraça do nada. Conta coisas da vida dele. Divide experiências comigo.

Ele também quer o espaço dele. Tem coisas que não conta. Tem momentos em que prefere ficar sozinho. E tudo bem.

Ele não precisa me contar 100% da vida dele para eu saber que existe confiança entre nós.

Acredito que isso não começou agora.

Desde pequeno, nós fomos incentivando sua autonomia. Deixando que fizesse sozinho aquilo que já conseguia fazer, mas permanecendo por perto quando precisasse.

E também erramos.

Eu, principalmente, muitas vezes quis antecipar tudo. Queria ensinar antes que acontecesse, preparar antes que ele precisasse, fazer com que aprendesse logo.

Hoje sei que não funciona assim. Tem coisas que eu posso ensinar. Outras ele precisa viver.

E, nessa história, eu também estou aprendendo. Eu sou mãe uma única vez. Ele também é filho uma única vez. Nenhum de nós veio pronto para esse relacionamento.

Por isso, quando ouço que “adolescente é difícil”, às vezes penso que talvez a pergunta não devesse ser apenas sobre eles.

Talvez a gente também precise olhar para a nossa própria régua.

Porque nós, pais, fazemos muito isso: Projetamos nos filhos aquilo que não fomos. O que não fizemos. O que não aprendemos. O que não vivemos.

Queremos que eles tenham a maturidade que nós demoramos anos para construir. Que tenham segurança onde nós tivemos medo. Que façam diferente de tudo aquilo que fizemos.

E, sem perceber, começamos a cobrar deles uma versão que existe muito mais na nossa cabeça do que na realidade.

Meu filho não precisa ser o adolescente que eu imaginei. Precisa poder ser quem ele é, dentro dos limites que precisa aprender e com a segurança de saber que, quando precisar, eu estou aqui.

E talvez seja isso que eu queira lembrar quando ele estiver mais distante, mais fechado ou simplesmente diferente do menino que sempre conheci: eu não preciso entender tudo o que acontece dentro dele para continuar sendo um lugar seguro para ele.

E isso vale muito mais do que ele me contar tudo.

Karla Sanson Coitinho - Mãe do Théo!

22 Set 2026

Adolescente é difícil! Será?

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